sábado, 1 de setembro de 2007

Armarinhos e Barracos.

Vitrola marroquina
Bichinho
Beicinho
Baixinha
Palavra, palavra, palavra.
Carrega a força de dez homens
E que homem...Gostoso...Ai! Ui!
Quer ser cantora
Quer ser dona de sua nova futura casa
Tem detalhes
Tem brochinho da Dorothy
Tem Betty Boop
Tem carência pra quando chove
Tem neguinho querendo
Catita abusada-cheia-de-opinião
Faz o gatinho querendo massagem
Riso frouxo, graça, e ritmo
Não é de Angola, mas tem o chocalho

" Ô minha filha! Tá maluca?! Ah, vai engolir uma p#$%&¨#$!!!!"...

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Vi...


...E ouvi o Vi em outras palavras: "Senta aqui tia que eu quero te falar, senta que hoje meu coração está em festa...".

um dia de realidade e nostalgia.

Deu pra entender.
Tinha brilho nos olhos, tinha sorriso deconfiado:
"Olha meu cotovelo tia, queimou."
Esperei ansiosamente por um choro que não veio. Veio luz. Veio afago querendo tocar cada parte de saúde e baunilha do meu corpo. Veio vontade de fazer alguma coisa.
Foi no dia 31 de agosto que conheci Michaela. Minha menina linda que possui o sorriso mais puro do mundo. Pés no chão.
Suspirei de gratidão.
Voltei cantarolando "quase sem querer" baixinho...não sei porque.

(Em homenagem as crianças soropositivas do SÍTIO AGAR-SP)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007


Eu começo a rir meio desequilibrada.meu corpo treme.meu olho pisca.alguns gemidos aqui outros gritinhos ali.os movimentos ficam pontilhados e frenéticos(conforme a tabela de expressão corporal artística).

Eu acho que sou meio tísica...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007



A menina se debruçou sobre a janela, na ponta dos pés descalços, vestido florido, esticou o bracinho e tocou o passarinho. Sorriu.

" Sai daí menina! Quer me matar de susto?! "

Pensamentos do dia.


Passou uma briza por mim, será que fico vesga? Que cor tem a vergonha? Que saudade-de-alguma-coisa é essa que de vez em quando bate? Por quê cachorro entende criança? Multiplicar os sentidos faz ensinar o princípio do movimento.

Quero...


Quero revolução

Quero carne vermelha

Quero risco de vida

Quero chegar ao limite

Quero estrapolar

Quero solo de guitarra

Quero ser reprimida

Do contrário, como é que eu vou lutar pra mudar o mundo?

Ai que marasmo..

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Pra bom entendedor...

Você não me conhece. Não provou do amargo que eu tive que salivar. Não viu cair nenhuma lágrima. Não esteve comigo nas tardes de pés descalços, lanche nenhum na barriga e xerox embaixo do braço. Você não viu crescer a arte em mim, a luta por não enlouquecer, não viu as pessoas que perdi e não sentiu a minha saudade.
Por isso continua. Monta a tua historinha. Mente sim. Escarneia sim. Escreve que eu fui "treinada pra isso". Retalha sim.
Você não sabe de nada. Não presenciou o meu primeiro choro, o desespero de conviver com uma sensibilidade insurportável, , não me viu gritar por luz, você não estava comigo quando a cortina fechou, quando o povo aplaudiu. Nunca sentiu o silêncio que reverbera em mim . Por isso retalha. Escarneia.

Tá pra nascer alguém que derrube esse furacão que existe dentro mim.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007


Vai fazer o quê a vida inteira?

Não , não era isso o que eu ia dizer, mas tem a ver com eu realmente prefiro estar só dentro de mim. Me falta humor. Me falta saúde. Me falta cor, cor à moda antiga, nos tons pastéis e serenos, rosa chá com o cheiro da alegria saudosa de um tempo que não volta mais.

Não volto mais.

Sai daqui. E vai dizer pra todo mundo o mal que eu te fiz! Vai e não volta mais, vê se não esquece de trazer a minha vitrola, eu quero só ver se você vai sobreviver, sem essa minha deliciosa maneira de ser.

Urgência


Eu preciso mudar
De hoje em diante eu vou me transformar.
Tô com mania de urgência
Tô com mania de corridinhas.
Do café para o quarto.
O corredor é meio longo e com passinhos ridículos eu vou
Meio que correndinho
Passar o cartão na porta.
Atravesso a rua e lá vem os passinhos
Do estúdio para o camarim
Meio ridiculazinha.
Uma urgência que faz parte daqui
E lá vou eu
Correndinho
Ridiculazinha
Com meus sapatinhos vermelhos e minha flor no cabelo
A favor do vento (aos passinhos)
Que me traz a lembrança-morna-
E leva a doce certeza
De que tudo está no seu lugar.

E tem também uma melancolia toda sua...


Tem chuva no seu olhar
Tem espaço para quando sorri
Tem gente querendo tocar - e ficar
Água é tudo o que me faz te lembrar.
Tem palavra nas entrelinhas
Tem olhar que brilha e pede:
Faz isso não moço
Faz não que não eu sei voltar atrás
Que comigo é terra, é barro-(é tijolo)
Que ninguém me conhece não moço.
Esse sorriso não é teu
É pra te convencer
É pra te fazer ver
Que o mundo é muito meu
Que eu sou chuva
Presta atenção moço
Vou ficar aqui ( no meu canto )
Me deixa aqui.
E quando a chuva passar
Eu vou me deixar levar
Eu vou me deixar amar.

E tem também uma melancolia toda minha...

domingo, 12 de agosto de 2007

Madeira!!!


Vovô nunca mais será o mesmo
D de dedo
E de esperança
V de vala!!!
Soletrando.
Foi num domingo
Eu disse vem comigo
Pé no chão, tinha brilho no tempo
O cheiro era de feijão leitoso com o pagode do vavá
O carro virou
A gente voltou
A branquinha ficou
Rapaz não se zangue
Olha pra mim que a gente não é trilha
Olha que isso é sério
A gente tem que aprender
Que o gostinho de viver
Tem a ver com querer ser -(meu).
Sou sua
Se isso muda
Pra quê aventura?

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

pensamentos do dia

Pingo na testa, é sinal de será que vai chover.quantos assovios são necessários para fazer vir um cachorro de rua.por quê é que o cheiro da manhã é melhor que o cheiro da tarde.eu prefiro quarta do que terça-quarta parece par,mas não é.por quê é que tem gente com cara que faz careta.criança tem cheiro lilás.

quero lubrificar a palavra


quero entender qualquer coisa que saliva.coisa que tem gosto e cheiro.que flua e exprima em palavras o que consome toda essa fome.quero beber o último gole.água pra minha boca.calor que toca a língua.estala.no paladar de qualquer coisa que tem sal.

Não é nada de mais ( para Ávila Cavalcante)



Quando um dia de madrugada...

Eu sussurrar no seu ouvido

Te chamando baixinho

Fazendo um carinho

Com a timidez da menina

Que te trouxe até aqui

Acorda rapaz, que quero te falar.

Quero contar toda a história

Acorda que já faz tempo

Já passou o movimento

Agora é o momento

E eu vou te falar:

Sorrisinho no nariz

Você sempre quis

Não é nada de mais

Você vai ser papai.

Menina inquieta



Menina inquieta

Pé no chão, grito e flor no cabelo

tão simplesmente

com suas manias

olhos atentos

quer ouvir as histórias que a vovó contava

quer noite feliz na voz mais doce de mamãe

quer o delicado som da melancolia batendo na janela

Menina inquieta

não tem medo de nada

à noite baixinho

chora no cantinho

perto do abajur de luz vermelha.

Sonha acordada

Mete os pés pelas mãos

Gargalha alto(gesticula)

Barulhenta com sua liberdade cravada na carne

Flor no cabelo porque faz manha

Acorda de manhazinha

Delicada se prepara

Para mãos nas cadeiras

Saliência em punho

Sair por aí com os pés no chão

Tirando satisfação

Não é assim não meu irmão!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

o começo

Troquei o céu azul de vento morno carioca pelos tetos de gesso iluminados, pelos salões de vento frio na terra da garoa.
Mas ainda posso sentir a paz daquela tarde ensolarada, o toque dos meus pés na terra morna no cantinho do quintal, perto da pitangueira. Não fazia idéia do que ia me acontecer. Era só eu , minha paz e shangrilá...minha cachorra boxer dentuça. Usava polainas. E não havia mais nada.
Aquele menino de olhar desconfiado e destemido com uma flor de hibisco na mão cuidava de mim, e me chamava. Eu ia. Tinha cheiro de alfazema e nunca , que eu me lembre fazia frio...era sempre sol, vento morno acalentando eu e o menino de olhar desconfiado
e destemido.
Eu juro que não havia mais nada.